Turista sofre! Tour cervejeiro Bélgica/Holanda – Parte 5: Westvleteren

By | 28 de Maio de 2015

Fala pessoal, hoje vamos zerar a vida!!!

 

Continuamos a viagem e hoje vamos comer uma batata frita na abadia de Mont des Cats, dar um pulo na St. Bernardus, zerar a vida na Westvleteren e dormir na capital do lúpulo.

Como sempre, deixo aqui os links das partes 1, 2, 3 e 4 pra quem perdeu os posts anteriores.

 

Abadia de Mont des Cats, com a igreja à direita.

Abadia de Mont des Cats, com a igreja à direita.

No post anterior finalizei com o mega café da manhã no Auberge de Poteaupré, da Chimay. Depois disso arrumamos as malas e pegamos a estrada. Após 180 km chegamos à abadia de Mont des Cats, na cidade de Godewaersvelde, França.

Essa abadia tem uma cerveja com seu nome, porém ainda não possui o selo trapista, pois no momento está sendo produzida pela Chimay, o que fere as regras para se obter o certificado. Isso não impede de ter a frase “Mont des Cats Bière Trappiste” estampada no bar ao lado. Creio que em pouco tempo os monges daqui devem finalizar a montagem da fábrica e logo teremos mais uma cerveja “trapezista”.

No site da International Trappist Association já aparece a Mont des Cats no meio do rolo, mas se você clica nela não há nada escrito. Na parte de Trappist Beers ela também não é citada ainda, só na parte dos queijos trapistas.

Vista do Mont des Cats

Vista do Mont des Cats

Sobre a abadia, ela é aparenta ser bem simples. Fica no alto do mont des cats, de onde empresta o nome e tem uma vista muito bonita. Só não vi nenhum gato por lá. A igrejinha é bem simples, humilde e tem um caderno para escrever agradecimentos e preces.

Descendo um pouco a ladeira existe o Auberge du Mont des Cats. Creio eu que deva ter quartos para hospedagem e um restaurante, mas estava fechado. Uma pena, pois já era meio dia e a fome batia vorazmente.

Voltamos para a pequena cidade no pé do morro e comemos uma batata frita muito boa numa cadeia de fast food que não lembro o nome. Mas reparei que existiam uma salsichas com o nome “lúcifer”. Não foi o único lugar que vi essas salsichas, mas acabei não experimentando.

Seguimos viagem queimando a língua com a batata frita quente por mais 10 km de volta pra Bélgica até a Brouwerij St. Bernard (Trappistenweg 23, 8978 Watou, Bélgica) que também pertence a monges. A St. Bernardus é conhecida, entre outras coisas, pela sua cerveja Abt 12.

Reza a lenda que em 1945 os monges da Abadia Sint-Sixtus (Westvleteren) pararam de fabricar cerveja e fizeram um acordo com os monges da St. Bernard para fabricarem com o nome deles e com as mesmas receitas. Após o fim do acordo em 1992, a Westvlereten voltou a ser fabricada internamente e a St. Bernard lançou a St. Bernardus, sem alterar as receitas. Ou seja, a St. Bernardus Abt 12 encontrada aí no seu mercado é muito semelhante à Westvleren XII, que é praticamente impossível de comprar no BR e tida como a melhor cerveja do mundo. Dizem existir leves diferenças, mas eu não fiz a comparação de uma com a outra para saber.

St. Bernardus contratando, com plantações de lúpulo ao fundo e duas fotos das instalações da cervejaria.

St. Bernardus contratando, com plantações de lúpulo ao fundo e duas fotos das instalações da cervejaria.

Chegamos na St. Bernardus bem na hora do almoço da lojinha. Então só tiramos umas fotos e partimos para Poperinge para fazer check-in no hotel. Ficamos hospedados no Gasthof de Kring (Burgemeester Bertenplein 7, Poperinge) e pagamos por volta de 70 euros. Existe um estacionamento público grátis a 2 quadras de distância. O hotel é parte de um restaurante e quem nos atendeu foram os donos, bem simpáticos. Nosso quarto ficava no prédio dos fundos, no 2o andar, mas com aquelas escadas íngremes e apertadas e subindo com 2 malas gigantes não era nada fácil chegar lá. Um quarto pequeno, com um banheiro visivelmente improvisado, mas que era o suficiente para passarmos a noite.

In de Vrede - restaurante da Westvleteren

In de Vrede – restaurante da Westvleteren

Dica: sempre olhe onde está pisando quando usar uma escada na Bélgica/Holanda. Os degraus tem tamanhos e formatos dos mais diversos. Quem souber aí me diz, nos outros países da Europa acontece isso também?

Depois de alguns minutos descemos e pedimos para chamar um táxi, pois iríamos até a Westvleteren (uést-vlê-tê-rên) e pretendíamos beber um bocado, então nada de dirigir.

Ficamos surpresos em saber que não existe serviço de táxi comum. Chamaram uma van enorme que cobrou 10 euros pra nos levar até lá. OK, quando vamos voltar aqui, certo?

Chegamos no local e fomos direto no In de Vrede (Donkerstraat 13), que fica em frente à Abadia de Sint-Sixtus. É um restaurante bem grande e bonito, que serve muitas coisas boas, mas principalmente as cervejas da Westvleteren!

Westvleteren Blonde e Extra 8

Westvleteren Blonde e Extra 8

Começamos então o “sacrifício”. A Tai pediu a Blonde e eu a Extra 8. Para forrar o estômago, uma fatia de pão com queijo trapista e uma mostarda alemã com raiz forte muito animal.

Muito boas essas cervejas. A Blonde era refrescante e com bastante notas de especiarias, enquanto que a Extra 8 te dá a impressão de que é aquele boss que você derrota logo antes de chegar no Bowser. É o Goku logo antes de virar SSJ. É o Anakin antes de ser Darth Vader… Era muito boa, mas você sabe que tem coisa melhor por vir.

E então veio o santo graal da cerveja. Aquela que todos buscam: a Westvleteren XII!

Ouvi cantos gregorianos e trombetas nos céus. Quando ele trouxe a cerveja a espuma fazia o som de “óóóóóóóóóóóóóóó”.

Westvleteren XII

Westvleteren XII

E minha vida estava zerada.

Pode parecer exagero e talvez até seja, mas é muito especial ter essa experiência. Não é só a cerveja em si, é tudo que envolve ela. As história e lendas que ouvimos. A vontade ou mesmo o sonho de tomar a lendária Westvleteren. Ter de economizar por meses e às vezes anos para ter dinheiro de bancar a viagem. O esforço em pegar 3 voos por quase 24h e dirigir um outro tanto pra estar ali com o risco de chegar e dar de cara com as portas fechadas ou simplesmente não ter mais cerveja.

Pra não correr o risco de dar com a porta fechada, fiz todos os planos da viagem para que não chegássemos lá nos dias que o restaurante não funciona, que é nas 5as e 6as. Esse dia, 25/03, era uma 4a feira.

A Westvleteren XII é realmente muito boa e complexa, com notas de frutas escuras, maltada. Teria que provar com mais calma pra descrever ela melhor (o que farei logo). Se for ver, não era cara, custou uns 3 e pouco. Num bar em Amsterdam estava por 15 euros.

O pessoal já gravou um Beercast com ela. Ouve lá que foi bem legal.

Por estar com o estômago um pouco vazio, essas duas cervejas já me deram um coice, então decidimos pagar a conta e tirar umas fotos do mosteiro. Antes disso, passamos na lojinha do restaurante, que vendia packs de 6 Westvleteren XII por pessoa por uns 18 euros. Comprei um pack desses pra mim e uma caixa com 4 taças (eu só queria uma, mas só vende nessas caixas fechadas). A Tai não quis comprar um pack com 6 cervejas, mas no fim foi uma boa decisão, já que voltamos com as malas no limite de peso pro Brasil.

Abadia de St. Sixtus - Westvleteren

Abadia de St. Sixtus – Westvleteren

A abadia não parece muito grande e na lateral dela havia uma entrada para carros para que as pessoas viessem buscar suas cervejas. É possível agendar a compra e levar 24 garrafas, mas é proibido revender (apesar que muita gente burla essa regra). Tinha alguns carros nessa fila.

Depois disso pedimos para a moça da lojinha chamar nossa van novamente. A princípio ela não queria, mas expliquei que meu celular não funcionava na Bélgica e ela de muito mal gosto fez esse favor.

Dica 2: E pra quem também faz coleção de tampinhas, consegui as tampinhas das 3 cervejas com o pessoal do bar. Já que não vendia a Blonde e a Extra 8 avulsas pra levar, pelo menos naquele dia.

Chegamos de volta no hotel e fomos dar uma volta nos arredores. Visitamos a igreja, mas estava muito frio, então decidimos voltar para o quarto. Passamos uma noite bem agradável. Da janela do quarto dava pra ver a torre da igreja iluminada, muito bonita.

No dia seguinte fomos conhecer o museu do lúpulo de Poperinge e seguir viagem pra Bruges. Vou deixar pra contar os detalhes no próximo post, beleza?

Abraço a todos!

 

Cervejas relacionadas

No In de Vrede

  • Westvleteren Blonde
  • Westvleteren Extra 8
  • Westvleteren XII

Trajeto do dia

Trajeto do dia

Trajeto do dia

 

12 thoughts on “Turista sofre! Tour cervejeiro Bélgica/Holanda – Parte 5: Westvleteren

    1. Daniel Córdova

      Olá Cinthia,
      Pelo que consta no site, você tem que ligar para (+32 (0)70/21.00.45), informar seus dados e a placa do carro para agendar um dia e hora para comprar. O limite são 24 garrafas por pessoa a cada 60 dias. Eles cobram além do preço da cerveja, o valor do engradado e de cada garrafa. Se a pessoa levar as garrafas e engradado (tem que ser aquelas deles mesmo), só cobram o líquido, e aí sai só 42 euros por 24 garrafas da 12!!!!
      Mas acho bem complicado para quem é de fora conseguir agendar. Se você já tiver viagem marcada, é bem provável que essa data será fora do seu período lá. Além disso, como dar a placa do carro se ele for alugado?
      Pelo menos ainda dá pra pegar 6 por pessoa no restaurante na frente deles.

      Reply
  1. André Meister

    Caro Daniel, excelentes os seus posts. Estou de viagem marcada pra agosto e pretendo ir na Westvleteren.

    Como é o esquema de pegar a Van? Também não quero alugar carro pra poder aproveitar sem preocupações.

    abraços,

    Reply
    1. Daniel Córdova Post author

      Olá André!
      Muito obrigado, espero que os posts estejam ajudando no planejamento da sua viagem.
      A Van quem chamou foi a própria dona do hotel aonde estávamos hospedados. Até peguei o cartão na hora pra ligar na hora de retornar, mas acabei perdendo, senão passava o contato.
      Desculpe responder só agora, mas não tinha visto seu comentário.
      Abraço!

      Reply
  2. Luquita da Cerveja

    Acho que esse foi o ápice da viagem heim. Muito foda!

    A questão dos degraus acho que é por ser construções mais antigas, não vejo como sendo comum na atualidade. De fato mostarda alemã é a coisa mais maravilhosa do mundo, não tem nada igual rs… aqui em casa sempre tem estoque.

    A paisagem parece maravilhosa e o guia mais uma vez tenho que dizer que está muito bom, pois vc mostra os perrengues, as dificuldades e os contratempos, fantástico.

    Só fiquei na dúvida se vc também precisou agendar a visita ou se foi de boa ir pra lá de van?

    Abraços

    Reply
    1. Daniel Córdova Post author

      Fala Luquita!
      Vi só agora seu comentário, mas vamos lá… então, o restaurante ali é aberto ao público, então é só chegar mesmo. O mosteiro é que tem que agendar com meses de antecedência pra comprar cerveja, naquele esquema que vc já deve conhecer.
      E a mostarda que serviram era uma que tinha o desenho de um leão. Conhece? Tinha gosto de mostarda com wasabi ou raiz forte, bem picante no nariz e boa demais.
      Abraço!

      Reply
  3. Anselmo Mendo

    As salsichas de Lúcifer são pra comer, certo? 🙂 A história da Bernardus Abt 12 ser semelhante à Westvleren XII comentamos em um episódio do BC. Concordo com você sobre parecer exagero a avaliação que fazemos de alguma cerveja em especial e acho que é mesmo. Mas isso porque não é apenas o que tem dentro da garrafa que importa, a experiência é sempre maior e justifica as opiniões. Muito legal os relatos, Daniel. Aposto que tem muita gente se animando a viajar depois de ler seus textos. Aguardando o próximo!

    Reply
    1. Daniel Córdova Post author

      Valeu Anselmo.
      Eu também já to animado pra próxima viagem hehe

      E acho que a experiência muitas vezes é o que conta quando tomamos cerveja, muito mais que ela em si. O Beltramelli disse no curso que to fazendo, pelo que me lembro, que a melhor cerveja pra ele era a Kaiser (ou alguma outra similar), porque é a que ele toma com o pai. Isso pra mim faz todo sentido.

      Quero um dia fazer o teste cego da Abt 12 com a XII pra ver se tem tanta diferença. Acho que dá pra adicionar ainda a Rochefort 10 no bolo.
      E será que a salsicha Lúcifer harmoniza com uma Duvel? Com a Deus já acho que não, hein.
      Abraço!

      Reply
  4. Alex Rodrigues do Nascimento

    Cara, caiu uma lágrima aqui ao ler esta descrição: “Ouvi cantos gregorianos e trombetas nos céus. Quando ele trouxe a cerveja a espuma fazia o som de “óóóóóóóóóóóóóóó”.”

    E caiu outra lágrima ao saber que a menina custa módicos 3 euros e pouco!

    Reply
    1. Daniel Córdova Post author

      hahahahaha
      Também fico assim ao lembrar das coisas… principalmente do preço.
      E pensar que tem gente que compra lá por 3 euros e trás pra cá pra revender a 200 conto.
      Valeu!

      Reply
  5. Fabrizio Guzzon

    Grande Daniel!
    Eu já tive a oportunidade de provar a Westvleteren XII com o pessoal do Beercast, foi uma taça somente mas já era notável a complexidade e a qualidade da cerveja, sem dúvida uma das melhores que já provei.
    E agora lendo seu texto, fico imaginando toda essa experiência sensorial que a cerveja já proporciona com toda a ambientação e imersão que se tem quando se esta no mosteiro…. deve ser uma experiência única… como vc disse, a cerveja chega cantando… rsrs

    Abç
    Guzzon

    Reply
    1. Daniel Córdova Post author

      Fala Guzzon!
      É demais mesmo essa experiência e relembrando dela pra escrever o texto deu vontade de abrir uma das que trouxe só pra provar novamente.
      Mas não, vai ser uma por ano pra deixar ela envelhecendo legal.
      Quero ver que outras músicas ela vai cantar ainda hehe
      Abraço!

      Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*