Turista sofre! Tour cervejeiro Bélgica/Holanda – Parte 7: Gent

Por | 11 de junho de 2015

Bem vindos à Gent!

Hoje o post é especial pra mim, pois essa é a cidade que me acolheu por 6 meses durante meu intercâmbio na universidade.

Gent pode ser definida como a “Bruges sem os turistas”. É pequena, muito bonita e lar da famosa Gulden Draak.

Meersstraat 168, Gent.

Meersstraat 168, Gent.

Saímos de Bruges pela manhã e fomos pra Gent (Gante em português), uma viagem curta, de 50 km. Logo estávamos no meu antigo “apartamento” (na verdade um estúdio), que na foto ao lado é esse primeiro andar com duas janelas.

Pequeno, com uma pia somente, um sofá, fogão elétrico, frigobar, banheiro minúsculo e baixinho, piso de compensado de madeira, 2 aquecedores elétricos e uma cama de solteiro que ficava em cima do banheiro. Tudo isso com luz, água e internet por 400 euros por mês. Morei ali, na Meersstraat 168, entre agosto de 2009 ao final de janeiro de 2010 enquanto estudava na UGent como aluno de intercâmbio do convênio EBW (Euro Brazilian Windows), que ligava universidades brasileiras (a UFSC no meu caso) com europeias. Foi uma experiência única e recomendo pra todos. Morar fora, nem que por pouco tempo, agrega demais na vida.

Mas chega de nostalgia e vamos passear!

Ainda era de manhã, mas fomos tentar a sorte no hotel pra ver se já conseguiríamos fazer o check-in. Tive muita sorte na reserva do hotel e consegui o NH Gent Belfort por 69 euros a diária. Foi de longe o melhor hotel que nós ficamos na viagem. Tem estacionamento no subsolo (pago separado) e fica localizado bem no centro histórico da cidade. Dá pra fazer tudo à pé, o que é uma grande vantagem pra quem quer frequentar os bares. Não conseguimos fazer o check-in tão cedo, mas deixamos o carro no hotel e saímos pra caminhar.

O centro histórico de Gent é muito bonito. Várias igrejas e prédios históricos, tipicamente belgas. A cidade tem vários canais e dá pra fazer passeios de barco neles (recomendo). No topo de uma das três torres do centro, ao invés do tradicional galo, existe um dragão!

Gulden Draak!

Gulden Draak!

Quem ouviu o Beercast 98 (quem não ouviu, ouça!) sabe da história da Gulden Draak, a mais famosa cervejaria da cidade e que tem seu nome por causa do dragão dourado no topo da torre mais alta da cidade e da Bélgica (a belfry de Gent), que possui 54 sinos. Existe toda uma lenda em torno desse dragão, pra quem se interessar achei esse link em inglês.

Almoçamos um sanduíche (os famosos belegde broodjes) com café e voltamos pra fazer check-in no hotel, dessa vez com sucesso.

Gadget - uma das muitas vitrines.

Gadget – uma das muitas vitrines.

Dica: Pra comer algo sem gastar muito, recomendo demais os belegde broodjes. São sanduíches feitos com baguetes de uns 15-20cm, estilo Subway, mas mil vezes mais saborosos! Escolha um pão (branco ou escuro), um recheio do cardápio e seja feliz. Aliás, o pão lá pra aqueles lados é bom demais, não sei por que não temos aquele sabor e crocância nos nossos pães.

Depois de descansar um pouco fomos dar mais uma volta, dessa vez nas lojas da cidade. Primeira parada: Gadget (na Dampoortstraat, ao lado da Game Mania – uma boa rede de games novos e usados). A Gadget é uma loja de action figures sensacional! Encontramos de tudo lá, desde lançamentos até raridades e antiguidades em perfeito estado. Ficamos malucos lá dentro. A Tai comprou um Khal Drogo e eu levei pra casa um Sir Lancelot do Monty Python, antiguidade, ainda na caixa. Além disso compramos diversas miniaturas dos Simpsons. Deixamos alguns euros ali.

Uuuuhh!

Uuuuhh!

No caminho de volta bateu a sede e procuramos algum lugar pra tomar uma cerveja. Encontramos numa praça o “Dulle Griet” (Vrijdagmarkt 50), que dizia na fachada que tem 250 cervejas. Aliás, a praça se chama “mercado de sexta-feira” e há uma feira de rua ali nas 6as de manhã e sábados à tarde. Vale a pena a visita.

Voltando ao Dulle Griet (que tem seu nome vindo de um canhão gigante exposto na praça), o bar é decorado com muitas placas de cervejarias belgas. Bonito e com Gulden Draak na pressão. Pedimos a cerveja local e Homer Simpson ficou impressionado.

Continuamos a caminhada e passamos na Veldstraat (rua do mundo), que é a rua do comércio. Nela estão as lojas de roupa e a Fnac, onde posso passar horas namorando os eletrônicos.

Numa rua lateral existe a loja SportsDirect.com, que tem muito tênis barato, roupas e artigos esportivos, camisetas de time e malas baratas. Compramos um par de tênis cada e uma mala nova bem grande por 35 euros pra acomodar tanta roupa, cervejas e cacarecos que já havíamos acumulado na viagem até então.

Dica 2: Para procurar os melhores bares nas cidades, recorri a o Ratebeer e às avaliações que as pessoas fazem no site.

Mais uma passada no hotel pra recarregar as baterias e estávamos prontos pra noite. Fomos beber no Waterhuis aan de Bierkant (Groentenmarkt 9).

Waterhuis aan de bierkant.

Waterhuis aan de Bierkant.

Pelos reviews no Ratebeer esse é o melhor bar da cidade e não tenho dúvidas que o pessoal estava certo. Fica à beira do rio, o que dá um clima muito bonito pra quem quer sentar ao ar livre, mas estava muito frio pra nós brazucas. Sentamos lá dentro no balcão e o bar é bem pequeno e apertado, mas tem muita opção de cerveja. Provamos 6 cervejas, com destaque pra Floreffe Prima Melior (uma Belgian Strong Ale muito floral), pra Bacchus (Flanders Oud Bruin) e pra local Gentse Tripel, mas todas estavam excepcionais.

Como eles só servem petiscos e depois de um tempo os dadinhos de queijo acabam não sendo o suficiente, fizemos uma última parada no Pizza Hut e pedimos uma pra levar (já estavam fechando então só dava pra levar mesmo). Pizza depois de uma noite de cerveja cai muito bem!

Brouwerij Huyghe - Delirium!

Brouwerij Huyghe – Delirium! Nessas janelas grandes dá pra ver um pouco do maquinário deles.

No dia seguinte partimos sentido Bruxelas, mas eu havia pesquisado antes da viagem e descobri que na saída de Gent, mais precisamente na cidade de Melle, fica a Cervejaria Huyghe (Geraardsbergsesteenweg 4/B, Melle), famosa pelas suas cervejas Delirium, mas que também fabrica a Averbode, entre outras.

Era um sábado de manhã e a fábrica estava fechada. Vi uma porta aberta e fomos entrando. Andamos pelos corredores, decorados com cervejas e souvenires do elefantinho rosa, mas nada de um escritório ou loja. Acho que se continuássemos era capaz de entrarmos na fábrica, mas decidi voltar e perguntar pra um homem que estava descarregando algum equipamento de som se havia uma loja deles que eu pudesse comprar alguma lembrança. Ele disse que não, mas que havia uma loja de cervejas há uns 2 km dali.

Procuramos um pouco e encontramos a tal da loja. Era uma Bierhalle (Brusselsesteenweg, 153/A, Melle) e quem conhece sabe que é gigante e tem muita, muita coisa!

Bierhalle!

Bierhalle!

O prejuízo foi grande! A Deus custava 12,49 euros e já de cara compramos 4! Duas pra nós e duas pra presente. Ainda fizemos a festa nas cervejas da Boon (Geuze, Mariage Parfait, Mariage Kriek, Oud Kriek, Kriek), Zundert, as taças da Tripel Karmeliet e da Westmalle, entre outras coisas.

Essa loja acho que também vende como atacado e não tem sacolas, mas nos deram caixas de papelão pra levar as compras embora. A moça do caixa não falava inglês e foi meio complicado entender quando ela perguntava “vocês querem uma caixa pra levar as garrafas?”, mas deu tudo certo. A loja também vende destilados, vinhos e refrigerantes, mas o principal deles são as cervejas mesmo.

Vai uma Malheur?

A hora do almoço chegou e achamos uma lanchonete perto do mercado. Pedimos novamente os broodjes e uma porção de batatas fritas. Tinha Wi-Fi no lugar e enquanto ostentávamos a compra das Deus no Instagram, o Sérgio do Lupulento perguntou se não tinha Malheur também. Como pude esquecer? Voltamos lá e garanti uma garrafa. Era ainda mais barata que a Deus, acho que uns 10,50 ou algo perto disso.

O carro agora fazia som de garrafas a cada curva e partimos pra Bruxelas. Ficamos dois dias lá e conto com mais detalhes na semana que vem. Só adianto uma coisa: não dirija em Bruxelas!

Até a próxima 5a!

E fica aqui o link dos posts anteriores: Amsterdam, La Trappe e Achel, Rochefort e Orval, Chimay e Mont des Cats, St. Bernardus e Westvleteren e Bruges.

Trajeto do dia

Trajeto do dia

Trajeto do dia

Klokke Roeland

Cervejas relacionadas

No Dulle Griet

  • Gulden Draak (Belgian Dark Strong Ale)

No Waterhuis aan de Bierkant

  • Gandavum Dry Hopped (Belgian Pale Ale)
  • Mammelokker (Belgian Brown Ale)
  • Klokke Roeland (Belgian Strong Dark Ale)
  • Floreffe Prima Melior (Belgian Strong Dark Ale)
  • Gentse Tripel
  • Bacchus (Flanders Oud Bruin)

12 comentários para “Turista sofre! Tour cervejeiro Bélgica/Holanda – Parte 7: Gent

  1. Sergio Jr.

    Sabe Rubens Barrichello? Assim estou me sentindo hahahaha
    Que massa que pude ajudar um pouco nessa jornada cervejeira, Daniel!
    Valeu pela citação!

    Abração, cara!

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  2. Fabrizio Guzzon

    Daniel,
    Teria muito a comentar, mas no momento estou com inveja de tudo… loja de action figures, lojas de cervejas, comida boa e até a descrição do sentimento de voltar a uma cidade onde se passou um tempo muito bacana….

    Nem sei se vou ler o próximo…. rsrsrsrs

    Abç
    Guzzon

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    1. Daniel Córdova Autor

      Fala Guzzon!
      hahahaha leia o próximo sim, porque em Bruxelas a gente sofreu um bocado, então dá uma compensada =)
      Abraço!

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  3. Anselmo Mendo

    Muito legal Daniel. Haja mala pra tanta cerveja. Você descreveu nos seus textos uma infinidade de lanches que comeram pelo caminho, na Bélgica é tão difícil quanto na Holanda encontrar uma refeição boa e barata?
    Gent pareceu um bom lugar para fazer intercâmbio. Mas se as pessoas matam aula por aqui por Skol, imagina na Bélgica.
    Um palpite sobre diagramação: como a maioria dos textos desta seção têm caráter de dica e guia de viagem, sinto falta de destaques. Quando publico procuro negritar nomes de cidades, bares, restaurante, cervejas, etc. Isso ajuda bastante o cara que está lendo para montar um roteiro e atrás de ideias de passeios.

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    1. Daniel Córdova Autor

      Fala Anselmo!
      As malas vieram no limite do peso, literalmente.
      É meio difícil sim arranjar uma refeição boa por preço justo, ou talvez a gente não sabia procurar. O pior mesmo é o preço do euro, aí tudo fica caro.
      Valeu pela dica sobre a diagramação. Vou dar uma editada aqui pra melhorar os destaques. Muito bom ter esses feedbacks, especialmente de quem entende do assunto.
      Valeu!

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  4. Luquita da Cerveja

    PQP estou de queixo caindo e babando feito Homer…

    Loja de Action Figure, lojas de eletrônicos e lojas e lojas e lojas e Cerveja, muita cerveja… boa e barata!

    Incrível como nessa parte da Bélgica muitas palavras se parece com algo entre o Holandês e o Alemão.

    Mas enfim… tenho que ficar 1 mês na bélgica rs

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    1. Daniel Córdova Autor

      hahahha é de ficar maluco mesmo esse monte de loja e coisa legal e barata. Os euros vão rapidinho.

      A língua oficial na região é o holandês mesmo, então tudo está escrito nessa língua. O flamengo é um dialeto falado, então nem sei dizer qual a diferença dele pro holandês, porque pra mim que só fiz um curso intensivo de Nerderlands voor anderstaligen (holandês para estrangeiros) fica difícil. Só sei que pra mim o holandês é um meio termo entre alemão e inglês, tem semelhanças ora com um, ora com o outro.

      Enfim, me inclua aí nessa excursão de 1 mês que quero voltar logo! hahaha

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