Turista sofre! Tour cervejeiro Bélgica/Holanda – Parte 2: La Trappe e Achel

By | 8 de Maio de 2015

Fala galera!

No post de hoje vamos continuar o tour cervejeiro. Vamos pegar um carro, sair de Amsterdam e conhecer a La Trappe e a Achel.

Os lugares são demais… o problema é chegar até lá!

Se você perdeu o início da viagem é só clicar aqui e conferir.

Eu tinha escrito uma história sobre todos os perrengues que passamos pra alugar o carro, mas o texto já está bem grande então cortei. Basta dizer que turista sofre!

Então tá! Carro alugado, coloquei o endereço da La Trappe no GPS (Eindhovenseweg 3, 5056 RP Berkel-Enschot) e partimos.

Dica 1: pela informação que eu tive dos locais, o 3G de chips de celular pré-pagos comprados na Holanda, não funciona na Bélgica, e vice-versa.

Dica 2: antes e durante a viagem, busquei na internet (viva Wi-fi de hotel!) o endereço dos locais que iríamos visitar. Baixei um app chamado Navigator para Android (mas deve ter pra iOS também), que é um GPS offline grátis, você baixa os mapas dos países que quiser. Desativei o modo telefone do meu celular e usava ele somente com o GPS ligado. O programa não é perfeito, mas economiza uma grana boa com telefone, apps pagos, aparelhos de GPS, etc.

Dica 3: se você quiser ir de trem e ônibus para a La Trappe partindo de Amsterdam, o Anselmo fez um post excelente aqui ensinando a chegar lá, dando dicas e contando a experiência dele na La Trappe.

 

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Que diabos é Trappistenbrug???

Depois de mais ou menos 120 km, quase chegando no destino, demos de cara com uma placa amarela, essa aí da foto. “Afgesloten” eu até entendo do meu holandês precário que possa significar “fechado”. “Trappisten” obviamente é “trapezista“, mas o que é um “brug”?
Resposta: A ponte que levava ao mosteiro trapista de Koningshoeven, a.k.a. La Trappe, estava fechada até 02 de abril. Aliás, ela não existia!

Ficamos mais de meia hora indo pra lá, pra cá, olhando o mapa, parando em posto de gasolina pra perguntar e tudo e todos mandavam novamente pra ponte fechada.

No fim das contas analisei o mapa no celular e demos um jeito de atravessar o rio pela auto-estrada, sair no meio de uma zona rural, pegar uma estrada de chão meio estranha e finalmente chegamos no mosteiro!

It's a La Trappe!

It’s a La Trappe!

O local é muito legal. O mosteiro é gigante e recomento ir na primavera ou no outono, pois o jardim enorme deles deve ser ainda mais bonito com as folhagens cheias nas árvores e tudo mais e não vai estar tão quente quanto no verão.

Como a fome era grande fomos direto no restaurante e é por isso que precisávamos de dois motoristas, já que eu tomei uma La Trappe Dubbel, acompanhada de um ensopado de carne com dubbel no molho que é bom demais! A Taíse ficou na água e comeu um hambúrguer gigantesco e pelo que provei estava bom demais também!

Como o Anselmo já disse, lá no Proeflokaal a cerveja tem preço justo, mas a comida é um pouco mais cara que em outros lugares. Nessas horas vale justificar com o famoso “quando vamos voltar aqui?” e mandar ver.

Era domingo (22 de março) e a lojinha deles só abriria às 15h. Passeamos pelos jardins, fomos na capelinha, tiramos muita foto e matamos um tempo até a hora chegar. Acabamos não fazendo a visita, mas vimos um grupo caminhando lá por dentro e tirando foto de tudo, parecia legal.

Almoço na La Trappe.

Almoço na La Trappe.

Quando abriu a loja já tinha umas 10 pessoas lá dentro agoniadas pra comprar uma cerveja. Os monges produzem também queijo, chocolate e alguns outros congelados, geléias, etc. Além disso, tem muito artigo religioso como estátuas, medalhas. A Taíse comprou uma porção de medalhas e lembranças pra família dela e na hora de pagar o monge que estava no caixa (primeiro monge que vi por lá, diga-se de passagem) se ofereceu para benzer tudo. É bem legal ver um monge trapista fazendo uma bênção em holandês. Acho que aquelas medalhas ganharam alguns pontos a mais de proteção.

Eu saí de lá com uma La Trappe Bockbier e uma Puur (essa acho que só vende lá), que eram as duas deles que eu ainda não tinha tomado, um chocolate trapista – que é muito bom! – e alguns ímãs de geladeira.

Tínhamos que ir embora logo, pois a segunda parada do dia era a Achel (St. Benedictusabdij De Achelse Kluis – 5556 VE  Valkenswaard), já na Bélgica, a 55 km da La Trappe.

Fiscalização pesada nessa divisa.

Fiscalização pesada nessa divisa.

O engraçado é que para chegar lá, você só consegue pela Holanda. A pessoal tem que entrar na Holanda para ir num mosteiro belga. É bem inusitado. A divisa fica a uns 150 m da porta do mosteiro.

A abadia de São Benedito já aparenta ser mais simples e menor que o da La Trappe. Não tem visitação, não dá para entrar na igrejinha deles, nem nada, mas tem uma pequena vila anexa com um restaurante e que serve a cerveja deles, alguns lanches e vende souvenires (garanti meu copo ali).

Entrada do mosteiro de São Benedito (Achel).

Entrada do mosteiro de São Benedito (Achel).

A "vila" da Achel, com o restaurante ao fundo.

A “vila” da Achel, com o restaurante ao fundo, no canto direito.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os tanques cheios de Achel. Quero!

Os tanques cheios de Achel. Quero!

A cervejaria deles fica ali no restaurante também. Tem apenas um vidro separando os pecadores do precioso líquido sagrado. Bem legal ver os tanques de fermentação deles de inox, nada diferente que a maioria das cervejarias e até bastante pequenos se comparados a outros que vimos. Mesmo assim foi o mais perto que chegamos de ver uma trapista em formação.

A área em que fica a abadia é muito bonita, numa zona rural, afastada da cidade e tinha bastante gente passeando por lá, considerando que era fora de temporada.

Saímos de lá, pois logo iria escurecer e não tem coisa pior que chegar numa cidade desconhecida à noite. O legal é que como os mosteiros em geral ficam em lugares mais isolados e cidades menores, o GPS nos mandava por estradas pequenas, passando pelo centro de várias cidadezinhas, por moinhos de vento, etc.

Será que o Dom Quixote passou por aqui?

Será que o Dom Quixote passou por aqui?

Partimos rumo à Liège, onde ficamos no hotel Best Western Univers (Rue des Guillemins 116, praticamente em frente à estação da cidade). Fiz a reserva da maior parte dos hoteis da viagem pelo Booking.com (jabá de graça, hein) e deu tudo certo. O hotel é bom e pagamos, com imposto, 61 euros pela diária e mais 10 pelo estacionamento do carro, que era o estacionamento da estação e que achei bem seguro.

Coloquei as cervejas fora da janela para gelar (isso é muito legal de fazer e deixa elas no ponto) e fechamos o dia estreando o copo novo da Achel com algumas cervejas compradas durante o dia.

No dia seguinte turistamos, viajamos… mas isso eu deixo pro próximo post, porque esse aqui já está gigante!

Aqui embaixo está um mapinha do trajeto que fizemos no dia e a lista das cervejas provadas. Espero que tenham gostado e até semana que vem!

Cervejas relacionadas

Rota total do dia.

Rota total do dia.

No Proeflokaal da La Trappe:

  •  La Trappe Dubbel (acho que era on tap)

No Achelste Kluis:

  • Achel Bruin

No hotel em Liège:

  • La Trappe Puur (belgian ale)
  • La Trappe Bockbier
  • Jupiler (pale lager)

 

20 thoughts on “Turista sofre! Tour cervejeiro Bélgica/Holanda – Parte 2: La Trappe e Achel

  1. Eduardo Maior

    Cara, Excelente esses posts (estou lendo todos eles para fazer minha viagem agora no final de novembro. Mas tenho alguns impecilho pelo fato de sermos apenas 2 (eu e a patroa) e somente um de nós dirige. Como faz para degustar das belezuras nestes locais afastados? Alguns já imaginamos não beber no local mas outros seria uma heresia… Então surge a dúvida/preocupação: Tem alguma cidade perto da La Trappe onde tenha hospedagem? Se formos de taxi, como fazer pra voltar(chamar um taxi no meio do nada)? Esta preocupação se repete na Sint-Sixtus. =/
    Degustar 1 taça e comer algo que “dê sustancia” ajudaria nstes casos de locais distantes no meio do nada?

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    1. Daniel Córdova Post author

      Fala Eduardo, tudo certo?
      Cara, esse é um dilema (dirigir e beber) que também nos incomodava. Fomos em 2 e a saída era revezar quem seria o motorista (no meu caso ambos dirigimos). Na La Trappe, Achel, Westmalle e Orval ela acabou cedendo para eu beber. Mas sempre no fim do dia, chegando no hotel, a gente acabava bebendo umas junto, aí compensava um pouco. E eu não saía torto das abadias também, só bebia uma ou outra hehe
      Na Sint-Sixtus pedimos um táxi no hotel (era uma van) e pagamos 10 euros para ir mais 10 para voltar, aí ambos bebemos. Para pedir o táxi na volta, eu tinha o cartão da taxista e dei uma chorada pra moça da lojinha ligar pra mim. Meio contrariada ela chamou com o celular dela, já que o meu não funcionava lá.
      Na Chimay ficamos hospedados lá, aí ambos bebemos também.
      Talvez você possa ficar em algum hotel perto da La Trappe e fazer esse esquema do táxi, mas não recomendo em hipótese nenhuma sair dirigindo depois de beber (aqui no Brasil também não hehe). Tem uma cidade perto sim, Tilburg, e pelo google maps parece que dá para ir de ônibus até o mosteiro. Quem sabe é uma né?!
      Abraço e espero que os posts ajudem na viagem! Depois volta e conta como foi =)

      Reply
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  7. Juliana Gerhardt

    Olá, muito legal o post!! Coloque os outros logo pois vou em setembro!! Hehe
    Mas fale mais sobre aluguel do carro…. Aí está minhas maiores dúvidas! Abraço

    Reply
    1. Daniel Córdova Post author

      Oi Juliana!
      Então, aluguei o carro pelo rentalcars.com.
      Deu tudo certo quanto ao que estava anunciado (segundo motorista grátis), só não lembrava (ou não sabia) de uma taxa de mais de 20 euros, que é o imposto municipal e que paga na hora de devolver o carro.
      Eles também fazem um “depósito” de 1.000 euros (MIL!!!) no seu cartão de crédito como uma espécie de seguro deles, pra cobrir algum sinistro, multa de trânsito, ou até mesmo aquele imposto ali.
      O Rental Cars fica te mandando email direto alguns dias antes tentando te vender um outro seguro, de X euros a diária, que daí não precisa fazer esse depósito de mil euros e cobre outros sinistros mais caros, mas eu decidi não comprar, porque esse seguro não é devolvido depois.
      Quando devolvi o carro eles estornaram a cobrança, só deixando mesmo os 23 euros do imposto.

      Tem que ficar atento também para abastecer. Na primeira vez que abastecemos (era na França) eu não sabia qual dos combustíveis colocar. Sabia que meu carro era à gasolina, mas em nenhuma bomba está escrito a palavra “Gasoline”. Tive que pedir ajuda pra um francês e no final deu certo. Tinha uma etiqueta escrito “sans plomb 95”, o que significava que eu tinha que colocar a gasolina 95 sem chumbo.
      E nesse posto tinha um sistema que você passa o cartão na máquina e paga. Aí dá pra colocar até 60 euros de combustível. Quando termina, fecha a bomba e ele debita o tanto que você abasteceu (53 euros, por exemplo).

      Bom, se tiver mais dúvidas é só perguntar. Essa semana tem mais um post =)

      Abraço

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    2. Eduardo Maior

      E então Juliana, fale um pouco sobre sua experiência que teve agora em setembro. Quais as dificuldades? Foi em grupo ou em casal ou sozinha? Estou indo em casal (minha namorada e eu) e temos a preocupação de como fazer para visitar todos estes lugares dirigindo e conseguir degustar as maravilhas locais.

      Reply
  8. Fabrizio Guzzon

    Grande Daniel!
    Muito legal essa viagem até a La Trappe. Imagino que ao ver que a ponte estava quebrada, vc deve ter pensado até em alugar helicoptero para chegar lá… rsrsrs…. não dá para abri mão de conhecer estando tão perto.
    E beber estas trapistas diretamente no mosteiro deve ser uma experiência muito diferente… o local e os pratos feitos lá devem criar uma atmosfera única.

    Abç
    Guzzon

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    1. Daniel Córdova Post author

      Fala Guzzon!
      Cara, quando vi a ponte quebrada deu vontade de pular na água e ir nadando hahaha
      Dava pra ver a torre da igreja e não tinha jeito de chegar lá, sorte que no fim deu tudo certo.
      E é diferente estar nesses lugares. Muitos deles com cheirinho de malte no ar, monges andando por perto, realmente é um clima diferente.
      Abraço!

      Reply
  9. Andre Frank

    Muito bom poder ter algumas dicas e curtir histórias de viagem. Aliás, viagem sem perrengue não tem graça, fica faltando história pra contar.
    Sobre o tamanho do post, pode aumentar que as breves descrições só dão vontade. A hora que está esquentando acabou. Não dá nem tempo de degustar uma taça de La Trappe inteira antes de terminar a leitura.

    Abraços.

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    1. Daniel Córdova Post author

      Valeu pelo comentário, André!
      Que bom que gostou do texto. Não vou economizar no próximo então =)
      Abraço!

      Reply
  10. Anselmo Mendo

    Que saudade da La Trappe! Os monges deveriam benzer as cervejas também né, antes da gente sair da lojinha.
    Concordo que dias mais quentes devem ser mais interessantes ainda para a visitação. Queria ter ficado naquelas mesas do lado fora!
    E a Taíse é realmente uma santa, só bebeu água (benta?) em um mosteiro trapista 😀
    Todas essas aventuras pra chegar e sair dos lugares tornam os passeios ainda mais interessantes.
    Imagino que os tanques de fermentação sejam só uma pequena parte da produção da Achel, não é?
    Estou ansioso pela parte 3!

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    1. Daniel Córdova Post author

      Fala Anselmo!
      Também já to com saudades de lá… se pudesse iria todo fim de semana.
      E na Achel, não duvido ser aquilo ali mesmo pra tudo. Como os monges só fazem o suficiente para se manter e não visam o lucro (a não ser se for usar pra caridade) acho que eles não devem querer fazer tanto volume assim.
      Ou não, sei lá =P
      Abraço!

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  11. Taíse Dalazen

    Parabéns Dani, o post ficou demais, pude reviver as experiências maravilhosas, principalmente a visita na La Trappe que foi muito legal.
    Ver aquele monge benzendo minhas medalhinhas foi surreal, nunca tinha visto um monge de verdade haha
    A sugestão de ir na primavera ou outono é muito válida, deve ser ainda mais lindo…

    Beijos

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  12. Luquita da Cerveja

    Cara esse seu tour vai ajudar em muito no dia que eu for fazer igual, já da pra evitar todos os perrengues! Rs…

    Muito bom mesmo e a Puur vende em outros locais também, bebi ela na Alemanha.

    Abraços

    Reply
    1. Daniel Córdova Post author

      Grande Luquita!

      Espero que ajude e se quiser mais dicas é só dá um toque. Não dá pra escrever tudo aqui porque senão ninguém lê hehe

      Ah sim, acho que me expressei mal. O que quis dizer é que a Puur acho que só vende na Europa, porque pelo menos aqui no Brasil nunca vi.

      Abraço

      Reply

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