Guerra Civil

Por | 12 de abril de 2016

Em 26 de outubro de 2001, o então presidente dos EUA George W. Bush, assinava o “Ato Patriótico”.

Essa lei, motivada pelos atentados de 11 de setembro e muito criticada por organizações de direitos humanos e juristas de todo o mundo, entre diversas medidas, dava poderes as agências de inteligência norte americanas para prender, interrogar e vigiar pessoas de qualquer nacionalidade sem autorização prévia da justiça.

E foi com inspiração na tragédia de 11 de setembro e na controversa lei do ato patriótico que em 2006 Mark Millar criou umas das principais sagas da Marvel: Guerra Civil.

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Nos quadrinhos, um vilão conhecido como Nitro se explode ao ser encurralado por um grupo inexperiente de heróis chamados de Novos Guerreiros, causando a morte de centenas de inocentes em uma área residencial dos EUA. Utilizando essa tragédia e o temor da população como justificativa, o governo dos EUA com o apoio do nosso amigo Tony Stark, implementa sansões urgentes aos chamados super humanos, criando uma lei de registro que obriga todos os seres dotados de poderes ou habilidades especiais revelem sua identidade, passem por treinamento militar e trabalhem única e exclusivamente sobre as ordens do estado. Quem não se adequasse a essa lei seria caçado e confinado em um prisão especialmente criada para super humanos, sendo privado de todos os seus direitos civis.

Devido a tudo que passou durante a segunda guerra mundial, o Capitão América começa a ver muitas semelhanças da lei de registro e da segregação dos super humanos, com os fatos ocorridos nos campos de concentração nazistas. Não enxergando outra opção, se opõem abertamente ao Homem de Ferro virando o líder da Resistência.

Apesar de todas as mudanças dos quadrinhos para o cinema, espero que toda essa tensão seja transmitida para as telas. Esse NERD subiu oficialmente no trem do HYPE. #TeamCapitain #TeamCap

Mas peraí! O que tudo isso tem a ver com a nossa cerveja gelada de cada dia?

Além de gerar muitas discussões enquanto bebemos, arrisco a dizer que estamos a beira de uma “guerra civil cervejística” em nosso mercado. De um lado as grandes e opressoras cervejarias tentando a todo custo dominar o mercado, fato agravado com o recente ocorrido no festival de cerveja artesanal de Blumenau, e do outro nossos micro cervejeiros, ideológicos, apaixonados e que foram e ainda são os principais responsáveis pela disseminação da cultura cervejística no Brasil e no mundo.

Mas nessa guerra quem está certo? De que lado você está?

Veja alguns argumentos prós e contras mais utilizados pelos dois lados:

 

Team Cervejarias – “Tony Stark”:

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Contras

  • Usa cereais não maltados, especialmente o milho (transgênico, na maior parte dos casos), para baratear a produção.
  • Pressiona pontos de venda para conseguir destaque ou monopólio nas vendas.
  • São acusadas de monopolizar as empresas de distribuição através de seu poder econômico. Adquiriram cervejarias artesanais ícones do movimento cervejeiro (Colorado e Wäls) e poderiam prejudicar a qualidade das cervejas.
  • Financiam campanhas políticas e fazem lobby para conseguir benefícios tributários em detrimento dos pequenos produtores.

Prós

  • Recentemente passaram a levar cervejas de estilos variados a pontos não abastecidos do país.
  • Abrem espaço para que cervejas diferentes das American Lagers sejam expostas aos consumidores comuns através de seu poder de divulgação na mídia de massa.
  • Produzem cervejas diferentes das American Lagers a um preço muitas vezes mais competitivos que as pequenas cervejarias artesanais.
  • Adquiriram cervejarias artesanais ícones do movimento cervejeiro (Colorado e Wäls) e devem melhorar seu preço e distribuição.

 

Team Micro Cervejeiros – “Capitão América”:

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Contras

  • Vendem cervejas não tão especiais a preços exagerados.
  • Elitizam o consumo criando a máxima “fazemos cerveja de qualidade”, mas atendendo apenas as classes A e B.
  • Não conseguem se unir em um movimento de classe em prol dos pequenos produtores (na visão dos próprios produtores).

Prós

  • Os produtores trouxeram a imensa variedade de estilos e sabores da cerveja aos consumidores brasileiros.
  • Foram fortemente responsável pela grande expansão de bares e empreendimentos cervejeiros nos últimos anos.
  • Está no caminho da produção inventiva e valoriza o produto nacional.

Todos possuem argumentos válidos e que sustentam seus pontos de vista, mas será que temos que nos dividir em dois lados? Acredito que com o diálogo e organização podemos encontrar um modelo de negócios que nos leve longe, e que toda a discussão sirva única e exclusivamente para enriquecer nosso mercado e não segregá-lo, fazendo com que mais produtos cheguem as prateleiras de todo o Brasil com preços justos e competitivos.

#TeamGrandesCervejarias #TeamMicroCervejeiros

8 comentários para “Guerra Civil

  1. Lucas F. Zurwellen

    Grande Will, texto muito bom cara.

    Não vou discutir qual lado ficar pois já apresentou bem alguns prós e contras, é uma discussão que não terá fim tão cedo e é de fato cedo para tirar qualquer conclusão.

    Mas nos quadrinhos sou #teamcap sem dúvida alguma!

    Abraços

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  2. Andre F

    Opa Will,

    Belo texto! Acho que um bom exemplo dessa brigaiada toda é a repercussão do texto do Marcussi.

    As pequenas tem seu mérito mas se não tomarem cuidado as grandes pegam todo esse mérito e tomam conta. Eu gosto de experimentar novas cervejas e vivo garimpando por aí, mas não pago preços acima do que acho aceitáveis. Na controvérsia do texto do Marcussi ficou claro que as cervejarias pequenas não vão baixar o preço, seja por falta de vontade ou possibilidade, aí vem a gigante e vende goose island por 7.98, vem promoção dos mercados da vida e paga-se 10 reais numa brewdog.

    Sinto muito ipa de R$25,00, mas vais ficar na prateleira.

    Concordo com o Guzzon, tomemos com os dois times e saibamos apreciar a boa cerveja ou a boa conversa com cerveja nem tão boa.

    Sobre o chopp schornstein, se ambev der uma enquadrada no bar do seu zé ele perde todo o material. Já vi isso acontecer com bar que usava geladeira vermelha pra gelar concorrente e com padaria que usava geladeira da kibon pra vender sorvetes de outras marcas.

    abs

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  3. Daniel Córdova

    Fala Will!

    Legal a brincadeira da Guerra Civil. Li esses dias, mas acho que vou ler novamente antes de assistir o filme pra ter a história melhor na cabeça. Sei que não escolhi um lado na briga. Ambos tinham bons argumentos, mas o melhor era o Homem Aranha quebrando tudo.

    Só um negócio sobre a Ambev que vi semana passada. Tem um bar pertinho de casa que é todo temático Ambev. Todas as cadeiras e mesas são da Skol, as paredes amarelas com uns painéis novos da Skol, tudo é Skol. Nas mesas, pessoal todo tomando Brahma litrão. No entanto tinha chope Schornstein IPA!
    Perguntei pro caixa se o representante da Ambev não reclamava e ele falou que como o bar não trabalha com chope Brahma e como eles não tem um chope IPA similar pra oferecer, o cara acaba não falando nada.
    Talvez dependa da pessoa, mas esse representante teve bom senso de não se queimar com um cliente. Mas sei que a hora que a Ambev tiver uma Colorado Indica em chope disponível facilmente, por exemplo, a chopeira da Schornstein é a primeira coisa que eles vão fazer o bar jogar fora.

    Valeu!

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    1. Will Nolting

      E ae Daniel, tudo certo?

      Guerra Civil é definitivamente uma das minhas sagas prediletas da Marvel! Nos últimos tempos li novamente os quadrinhos e me arrisquei no livro, a pancadaria do Aranha contra o Homen de Lata é MUITO mais intensa, mas não vou dar spoilers(rs).

      Boa atitude do representante, mas será que a Ambev aprovaria(rs)? Quando a marca investe em um estabelecimento quer a exclusividade na comercialização dos seus produtos, entendo que disponibilizar mais opções mesmo que a marca não tenha um produto semelhante, é gerar concorrência dentro de um ambiente que deveria ser exclusivo, mas claro que isso é meu lado capitalista falando. Como consumidor eu quero mais é que tenham infinitas opções de escolha, seja em bares com a bandeira amarela, verde ou vermelha.

      Abs.

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      1. Daniel Córdova

        Sim, também estranhei a posição do representante, mas pensando de outra forma, eu e minha noiva não teríamos parado ali se não fosse o chope IPA a 7,50 e de repente se estivéssemos com outras pessoas que não tomam IPA, teriam vendido Brahma pra elas, então no fim todo mundo ganha.

        Pensei em ler esse livro também, vale a pena é?

        Valeu!

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        1. Will Nolting

          Concordo! Diversificar os produtos pode atrair mais clientes.

          Sobre o livro do Guerra Civil, vale muito a pena! Eles detalham os acontecimentos mais do que nos quadrinhos compilados lançados ultimamente. Corre, faltam duas semanas para o filme(rs).

          Abs.

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  4. Fabrizio Guzzon

    Grande Will

    Muito interessante o texto, e de fato temos uma divisão bem clara de opiniões sobre esse tema… ainda mais na internet onde parece que o meio termo esqueceu de abrir um conta no facebook e continua chamando os contatos dele no mIrc…

    Acho que as micro são fundamentais para o crescimento do mercado de cerveja artesanal no Brasil, mas se continuarem vivendo a febre dos colecionadores de rótulos não vão ter um tempo longo de vida, e é ai que as grandes entram… com uma visão muito mais a longo prazo já estão se articulando para se tornarem presentes tambem dentro das artesanais.

    Eu particularmente fico com o #TeamDeadpool… vou no bar e bebo com os outros dois times até todos estarem bêbados… rsrsrs

    Abç
    Guzzon

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    1. Will Nolting

      Fala Guzzon!

      Concordo com você! Ultimamente vejo muitas discussões e pouco diálogo, esquecemos como ouvir opiniões diferentes e absorver os pontos positivos, o que mais importa é ser especialista e “vencer” a batalha de argumentos ao invés de achar uma solução que equilibre o mercado cervejistico. Talvez devêssemos contratar o DeadPool para beber com essa galera e ver se todo mundo se acerta. Rs

      Abs.

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