Festival Brasileiro da Cerveja 2016

Por | 17 de março de 2016

Fala pessoal!

Estou de volta mais uma vez para contar para vocês um pouco de como foi o Festival Brasileiro da Cerveja 2016. Dessa vez fui todos os dias e além de ter curtido o festival como público, também trabalhei nele, ajudando no serviço no estande da Cervejaria Mea Culpa, então vou dar um breve relato de como é o festival “por dentro”.

O festival aconteceu nos dias 09 à 12 de março (4ª a sábado), sendo que alguns dias antes ocorreu o 4º Concurso Brasileiro de Cervejas. Na 3ª feira à noite, dia 08, foi a festa de premiação das campeãs e já estava todo mundo doido para provar as ganhadoras na 4ª feira.

Sendo assim, partimos para Blumenau e assim que os portões abriram às 19h já estávamos lá dentro. Como eu não havia comido nada desde o almoço, comecei por um “cachorro quente” alemão com salsicha Krakauer, que matou a fome e deu base pro restante da noite. Deve ter custado em torno de 20 Ninkas (o dinheiro do evento – R$ 1,00 = 1 Ninka).

Maniba Red Meth - a vencedora geral do concurso.

Maniba Red Meth – a vencedora geral do concurso.

Estava com mais 3 amigos e juntos nós íamos nos estandes que mais nos despertavam a curiosidade e cada um comprava uma dose de 100 mL de uma cerveja diferente. Desta forma, pude provar 44 cervejas diferentes só no primeiro dia (86 até o fim do festival), além de ter conseguido facilmente provar as campeãs do concurso. Dos 4 dias de degustações, faço destaque para a 7 Palmos e a 7 Mares da Liffey (maturadas enterradas no solo e dentro do mar, respectivamente), a Reserva do Proprietário 2015 da Bäcker (servida para nós pelo mestre cervejeiro da Bäcker, que nos foi apresentado por uma amiga), a Reserva da Dama, Maniba Red “Meth” (campeã geral do concurso), RedCor (Araucária) Ryequeoparta (2ª colocada geral e pelo 2ª ano consecutivo entre as vencedoras), Seasons Vaca das Galáxias (ou qualquer outra deles, todas excelentes), Tupiniquim Monjolo Whiskey, Swamp Hopbite IPA (melhor IPA de 2016), Barco San Diego (APA excelente), Schornstein Katrina (receita do Gean Carlo Vila Lobus vencedora do concurso da ACervA Catarinense do ano passado), Kasteel Rouge, Kasteel Barista Quad Chocolate, Horals Oude Gueuze Mega Blend 2013, Bier Hoff Druida, Hunsrück Bergamota, entre muitas outras. O preço da dose de 100 mL girava em torno de 5 e 8 Ninkas geralmente.

Quarta-feira é o melhor dia para curtir o festival. Quem esteve nesse dia ano passado, comentou comigo que 2016 estava bem mais cheio e segundo a organização o público aumentou quase 25%. De qualquer forma, era bem tranquilo pegar cerveja, até nos estandes mais concorridos, como da Seasons e Tupiniquim.

Encerramos a noite no estande da Barco, onde meu amigo Álvaro estava trabalhando.

Por trás do balcão

Cara-crachá

Cara-crachá

No dia seguinte, 5ª feira, me apresentei para trabalhar na Mea Culpa pouco antes das 19h. Estávamos em dois (o “Jesus/Dave Grohl” Bruno e eu) pilotando as 4 torneiras da cervejaria, que estava servindo a Gula (American Blond Ale), a Vaidade (APA), a Ira (Imperial IPA) e o lançamento, a Preguiça (Witbier com camomila e dry-hop de Sorachi Ace). Tínhamos também um confessionário, onde o nosso “padre” ouvia as confissões do pessoal e, após o pagamento do dízimo, receitava a “penitência” da pessoa dependendo do pecado dela, que era uma dose de 200 mL de alguma das cervejas da casa (no último dia era 300 mL). Era muito divertido e conforme as horas iam passando e as pessoas iam ficando mais desinibidas, mais aumentava a fila do confessionário.

Neste primeiro dia o movimento foi tranquilo e serviu para eu pegar o jeito das torneiras. Cada uma tinha um jeitinho diferente de tirar o chope, pois hora espumavam demais, hora faziam muito pouca espuma.

O estande da cervejaria era bem localizado, vizinho da Tupiniquim e de frente para as mesas onde o pessoal sentava para comer e descansar, o que fazia com que sempre tivesse bastante gente em volta. Certos momentos enchia de gente, quase que uma horda zumbi morta de sede, outras horas ficava mais tranquilo e dava tempo de repor as bolachas (ou biscoito?) de cerveja que o pessoal levava aos montes, tomar uma água, etc. O intervalo para descansar era de mais ou menos meia hora e eu tinha que correr para dar tempo de dar um alô pra galera, tomar umas cervejas, ir no banheiro e ligar para a Taíse, que ficou em casa e só veio na 6ª. No fim deu tudo certo. Contei também com a ajuda dos amigos, que de vez em quando passavam pelo estande e me traziam algo inusitado para beber.

Encerramos por volta da 1h, voltei pro hotel e capotei.

Qual o seu pecado?

Qual é o seu pecado?

Sexta-feira à tarde aproveitei para conhecer a Feira Brasileira da Cerveja, que acontecia anexa ao festival. Pude ver diversos equipamentos industriais, babar em panelas e fermentadores de inox, cheirar muito lúpulo em exposição no estande da Agrária, namorar umas chopeiras, etc. Muito boa a ideia do evento e tenho certeza que ano que vem a feira será ainda maior e melhor.

Comi algo no Bier Vila (um restaurante fora dos pavilhões, porém dentro do Parque Vila Germânica) e tocamos para mais um dia de trabalho. Dessa vez o movimento já foi bem maior que os dias anteriores. Bastante correria, barril que chegava ao fim, equipes de TV fazendo reportagens, mas ainda dava para administrar tudo. Já começou a chegar também mais gente que não conhecia tanto de cerveja, principalmente os que queriam saber o que era o “sorachi” na witbier. Gostei muito de ajudar o pessoal nas escolhas e explicações, a galera se interessa bastante.

Encerramos perto das 2h dessa vez e em parte graças a ajuda do pessoal da organização que começou a apagar as luzes pra galera ir embora.

Sábado foi o grande dia e já começou com polêmica. Todo mundo já deve estar sabendo o que aconteceu mas vou explicar rapidamente aquilo que sei (se alguém puder completar as informações, por favor comente). De última hora (dizem que alguns dias antes do festival) a organização decidiu abrir o pavilhão novo da Kirin e só serviria Eisenbahn e produtos da Schin. As cervejarias ficaram revoltadas, todo mundo começou a reclamar e antes de abrir os pavilhões rolou protesto dos cervejeiros. Durante o dia a Kirin já havia recuado e dito que só iriam vender água e refrigerantes nesse novo pavilhão. Após as reclamações e o protesto, decidiram voltar atrás de vez e não abriram mais. A banda cover de Beatles que deveria tocar lá foi transferida para o setor em que eu estava.

Um dos dois pavilhões

As portas dos pavilhões abriram por volta das 15h e logo começou a encher de gente. As primeiras horas passaram voando e logo olhei no relógio e eram 21h, fiquei surpreso em como havia passado rápido. Trabalhei mais um tanto, olhei novamente e eram 20h30!!! Maldito tempo que anda pra trás!

Era gente demais! Li no Facebook do festival que durante os 4 dias passaram mais de 41 mil pessoas pelos pavilhões, mas só no sábado foram 19.059!!! Era chope atrás de chope e pouco tempo para respirar. Acabou um barril de Gula, que estava aberto desde 4ª e logo tivemos que trocar uma 2ª vez! Além disso, o perfil do público de sábado também mudou. Tinha mais gente querendo zoação e mais pessoas que não conheciam cervejas diferentes e chegavam lá só pedindo um chope. Quando eu perguntava de qual tipo, eles respondiam “ah, sei la, o pilsen” e eu tinha que mostrar os que estávamos servindo, que não tínhamos pilsen e aí por diante.

As pernas e costas me judiavam e mais e mais gente chegava. Durante minha pausa, aproveitei pra arranjar um cantinho num banco e fiquei sentado o máximo de tempo que pude. A Taíse salvou minha vida vindo me trazer uma bolinhas de linguiça blumenau mais tarde. Isso recarregou minhas forças e consegui seguir até 2h20, quando já estava tudo parado e pude encerrar o festival de vez, finalmente!

Os espólios da festa.

Os espólios da festa.

Um pouco antes de encerrar, virei pra Taíse e perguntei quantos “Ninkas” ela ainda tinha. Os caixas já haviam fechado e não daria para trocar por reais. Pedi para ela ir nos estandes das importadoras e ver o que conseguiria comprar com eles. Sucesso! Fica a dica pro pessoal, final de festival rolam umas promoções absurdas!

Voltando um pouco sobre a experiência em geral do festival, no do ano passado tive a chance de encontrar muita gente legal que a gente só conhece pela internet. Esse ano, foi muito legal reencontrar essas pessoas, como o Sérgio do Lupulento, que inclusive ficou hospedado lá em casa em Floripa, o Edson Viajante Cervejeiro, o Alexander do Beertone/Mad Gulliver (um dos caras mais gente boas que já conheci) e o Guilherme do Buteco do Ferreira. Sempre bom fortalecer as amizades e beber uma junto com o pessoal.

Também tive a oportunidade de conhecer outras pessoas desse mundão da cerveja e finalmente pude bater um papo pessoalmente com o nosso querido Lucas Zurwellen, o Luquita da Cerveja aqui do Beercast! Muito legal te encontrar lá! Além disso, não posso deixar de citar o Mário da Bier Hoff, a Júlia e o Rodrigo da Sinnatrah/Mea Culpa, o Vitor e o Alexandre da Mea Culpa, o Felipe do Lupulento, o Gean Carlo (que já citei ali sobre a Katrina), o Bruno, que estava na lida comigo, e muitas outras pessoas legais que ajudaram a deixar o festival ainda melhor.

Rapidamente, antes de encerrar, vai um resumo das minhas percepções do festival deste ano:

O Bom: mais cervejarias participando, cervejas cada ano melhores e mais ousadas, muitos lançamentos e exclusivas, pessoal gente boa, grandes amizades, facilidade de acesso aos cervejeiros.

O Mau: menos locais para lavar os copos em relação ao ano passado (pelo menos pela minha impressão), muita gente no sábado (não irei mais nesse dia), não havia água potável grátis e a Schin cobrava R$ 5,00 a garrafinha de 500 mL.

O Feio: o mal estar causado pela organização e a Kirin com a história do pavilhão. Espero que ano que vem eles realmente abram esse pavilhão extra, mas durante os 4 dias e que ele seja não seja exclusivo do grupo Kirin, para que novas cervejarias consigam entrar e para que tenhamos ainda mais opções de cerveja de qualidade. Outro ponto que deixou bastante a desejar foi a questão da segurança. Amigo meu teve celular furtado lá dentro no sábado. Bem complicado…

Então é isso, depois de 4 dias de festas e trabalhos intensos, finalmente terminou o festival. Já não aguentava mais!

Não vejo a hora de chegar o próximo!!!

7 comentários para “Festival Brasileiro da Cerveja 2016

  1. Fabrizio Guzzon

    Grande Daniel
    Estava muito a fim de participar este ano, mas mudei de trampo e acabou não rolando…

    Sobre a polêmica, tem alguns pontos interessantes a serem levantados.
    — primeiro, eu gosto de polêmica…rsrs
    —a condição do pavilhão já tinha sido exposta antes do início do evento, os artesanais reclamarem acho que eh direito deles, mas pelo que sei eles fizeram a manifestação com narizes de palhaço mesmo depois da organização voltar atrás na decisão.
    —o pavilhão novo foi construído pela Brasil kirin, foi um investimento pesado, eh esperado que eles queriam retorno.

    Na minha opinião, os artesanais colocaram o pé na região do mimimi quando protestaram mesmo depois de conseguir oque queriam da organização.

    E ficou faltando uma polêmica….houve mesmo vaias para a boemia?

    Abç
    Guzzon

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    1. Daniel Córdova Autor

      Fala Guzzon!
      Faltou vc lá hein, ano que vem temos que nos encontrar lá pra tomar umas! Vc está trabalhando aonde agora?

      Entendo que a Kirin queira retorno no investimento do pavilhão, mas eles não construiram de bonzinhos, estava nos termos da licitação e até acho que foi por isso que a Ambev largou o osso, não?
      De qualquer forma, eu realmente não vejo problema em eles abrirem o pavilhão novo, o problema está em forçar a exclusividade da marca deles nesse pavilhão. Quantas outras cervejarias legais não ficaram de fora por falta de espaço? E não sei até que ponto houve antecedência no aviso. Posso estar mal informado, mas foi avisado apenas alguns dias antes de começar o festival, não?
      De qualquer forma, também não estava sabendo que eles já haviam recuado antes de acontecer o protesto. Sabia que eles haviam recuado quanto à vender cerveja, mas não de deixar de abrir. Aí realmente é de se discutir se vale a pena protestar. Eu realmente não tenho uma opinião nesse momento.

      Esqueci mesmo de comentar o episódio da vaia. Tenho quase certeza que foi pra Bohemia mesmo, esqueci de perguntar pra alguém que estava no evento. Nesse ponto acho muita falta de respeito. “buuuu vcs são Ambev e fizeram uma cerveja boa que ganhou num teste cego”. A Wals e a Colorado ninguém vaiou por que então?

      Mas essas polêmicas são boas, são bons temas pra mesa de bar. Melhor do que ficar discutindo política hoje em dia hehe

      Abraço!

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  2. Anselmo Mendo

    Muito bom Daniel. Dias intensos, heim? Se puder, explica aí esse negócio da 7 Palmos e a 7 Mares da Liffey maturadas e enterradas no solo e no mar. Não sabia disso. A Mea Culpa está sempre presente nos festivais e eventos que ocorrem aqui em São Paulo. O pessoal atende muito bem a gente e pelo jeito aí não foi diferente. Esse lance do confessionário também fez sucesso no último Degusta Beer. Também acho às feiras técnicas um grande barato, aprendi bastante coisa na Brasil Brau do ano passado. E isso que você comentou também é o que aprendi, final de festival é quando o dono fica maluco e tudo pode acontecer nos stands. Obrigado mais uma vez por postar um relato tão legal aqui no blog. Abração!

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    1. Daniel Córdova Autor

      Fala Anselmo!
      Então, pelo que eu sei, a 7 Palmos foi maturada enterrada a 7 palmos no chão. Segundo o untappd é uma belgian dark strong ale.
      Já a 7 Mares, é uma imperial stout que maturou dentro do mar. Sei de relatos de pessoas que sentiram sabores levemente salgados. Tomei tão pouco dela que não posso afirmar se isso é verdade ou se a pessoa sentiu o sabor por sugestão.
      Não sei também quanto tempo elas ficaram maturando nessas condições, mas independente disso, eram excelentes cervejas.
      O estande da Mea Culpa chama bastante atenção mesmo e é bem divertido pro público.
      Estou com vontade de comprar o ingresso pra sábado no ano que vem, mas só entrar lá perto de fechar, pra aproveitar as promoções =P
      Abraço!

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  3. Luquita

    Perfeito Daniel, foi realmente bom te conhecer e bater um papo. Da próxima a gente tenta tomar umas junto e jogar mais conversa fora.

    Seu post realmente resume o que eu também passei, com a diferença que bebi menos pois não tive um dia livre, trabalhei em todos e ai o total foi de 42 cervejas mas eu apenas fiz check-in, nd de avaliar.

    Fiquei realmente na vontade de beber algumas coisas interessantes, como as da Liffey, mas com tanto movimento eu já tinha me perdido no primeiro dia rs.

    Dica, ano que vem a lista de cervejas de cada cervejaria vai se profissionalizar, ser mais completa e ganhar um patrocínio rs.

    Que venha a próxima e abraços!

    Responder
    1. Daniel Córdova Autor

      Boa, Luquita!
      Certamente vamos tomar umas juntos pra poder dissertar melhor sobre os problemas da vida, o universo e tudo mais!
      No que eu puder ajudar na lista do próximo ano, é só avisar.
      Legal que vc teve uma percepção similar do evento, tomara que ano que vem a organização melhore ainda mais.
      Abraço!

      Responder

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