Boa Cerveja-Feira #346… Berga

Esta semana iremos combinar, mesclar e misturar o que encontrarmos para entender que a combinação inusitada de elementos pode resultar em experiências agradavelmente inesperadas.

Iremos provar a Berga, da cervejaria Suricato, uma cervejaria de Porto Alegre com o conceito arraigado de trazer inovação. Uma novidade é que a Suricato era uma cervejaria cigano, mas neste mês de outubro 2020 ela realizou uma fusão com a Cervejaria Distrito e deixa de ser cigana. Uma boa noticia em tempos de pandemia.

Como estamos falando de evoluções e revoluções, minha indicação desta semana é a série documental da Netflix “Hip Hop Evolution”.

Eu não sou um ouvinte regular de Hip Hop, mas a qualidade documental da série é incrível. É realizado todo o resgate das origens e influências sobre o estilo musical, suas ramificações e impactos sociais. Para completar, isso não ocorre do ponto de vista de alguém alheio a este meio, pois o documentário é repleto de entrevistas com pessoas diretamente envolvidas com o movimento musical.


Berga

BergaDados Técnicos:

Cerveja: Berga
Estilo: Gose
Teor: 4,0 %
País de origem: Brasil
Embalagem: 473 ml
Nota: 3,75

 


A Berga se apresenta em cor amarelo palha, límpida e cristalina. Com uma espuma branca de boa formação, bolhas pequenas e baixa persistência, que ao baixar praticamente desaparece do copo.

O aroma, como esperado, remete a Bergamota ou tangerina. Mas enganasse que acha que será somente uma percepção suave. O aroma é fresco e pungente, como se houvessem rasgado a casca de uma mexerica ao seu lado, não dando espaço para qualquer outro aroma.

Ao provarmos a Berga vemos que se trata de uma cerveja de corpo baixo e carbonatação médio alta. Enquanto que no paladar temos uma acidez alta e frutada em primeiro lugar, como um cartão de visitas.

Logo depois encontramos notas de tangerina equilibradas com uma suave presença de malte e uma persistente presença de acidez lática, e em segundo plano leve salgado.

O aftertaste traz percepções semelhantes ao paladar, mas em ordem de grandeza distintas. As notas frutadas e a acidez são mais discretas e o salgado presente no final do paladar se torna mais evidente, remente ao sabor de quem já chupou uma fatia de laranja com sal.

A Berga é a prova que uma cerveja pode surpreender pela sua concepção e construção, sem a necessidade de criar uma infinidade de camadas sensoriais. O frescor das notas frutadas aliados a acidez pungente e ao final levemente salgado são uma receita que funcionou perfeitamente.


Para a harmonização é impossível ignorar as notas de bergamota e a acidez. Mas ainda temos outros elementos na cerveja que podem nos ajudar em uma harmonização um pouco mais arriscada.

Minha sugestão é harmonizarmos com torresmo. A Berga permitirá que sua carbonatação contraste com a untuosidade do petisco para deixar o sabor da carne ser salientado pelas notas acidas e frutadas.

Prost!

Fabrizio Guzzon